Sumiste. Colocaste-te na evidência da morte de ti, da morte de mim. Não me deixaste velar-te. Vela então tu por mim, emoção ausente, que te foste na cupidez do presente. Agora que aqui não estás, talvez desça eu sobre ti, quando estiveres a dormir teu sono de menina. Colocarei a palma da mão na tua cabeça e abençoarei teus sonhos e rezarei pelo assombramento que a tua passagem foi. E que nem medos nem lágrimas te visitem de novo.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Na minha eternidade (A.O. Nº9)
No eterno do meu sentir, nasce devagar uma luz tão pequenina, que apenas consegue iluminar um canto distante da esperança escurecida. Poderia ser uma rosa vermelha, abençoada por um improvável arco-íris. Mas isso mais parece coisa de sonhos. «Porque não te calas?» - Perguntaram-me já. Porque sou um criador – respondo eu – Um criador cria sobre aquilo que sente, aquilo que pensa, aquilo que experiencia, aquilo que lhe dói... A sua vida, tudo o que o rodeia é matéria de criação. E quando doí, cada obra criada pode ser grito, pode ser lágrima, pode ser compaixão… Pode ser pergunta... A resposta estará sempre em quem depois vê. E a resposta poderá ser outra pergunta. Sei que no eterno do meu sentir, na luz que recomeça… Vejo o teu rosto e reconheço-me a mim na minha eternidade.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Augúrios de Outubro nº4
Amar, não amar…Como se insinua este sentir, qual coluna tão levemente pesada? O amor surge como o nascer do sol. Está-se distraído e de repente é luz, é dia. Descobrimos a invencibilidade que desconhecíamos ter. Descobrimos que outro (sua sorte e infortúnio, beleza, sabor e sentir) é mais importante para nós do que nós próprios. «Eu amo-te» torna-se a oração, a canção da vida, o caminho sem dúvida. Sim, depois tornamo-nos descuidados. Temos tendência para assim ser com quem mais está dentro de nós. Desperdiçamos a nossa riqueza e claridade. Quando olhamos em volta, de olhos fechados, é a noite que vai caindo. E somos então de novo crianças com medo do escuro. Então, no meio da queda que não se sabe estar a dar-se, surge esse abismo, essa consciência da noite: «Eu já não te amo». A vida, tal como a conhecíamos, deixa de existir. Deixa de haver força ou desejo de pensar em porvir. Choram-se os porquês, os porque não… A matemática frieza com que nos apercebemos que já não fazemos vibrar o ser amado. Na verdade, morre-se e outro vai nascendo em nosso lugar. Um outro talvez mais forte e sereno, num amanhecer absolutamente no horizonte. E nos entardeceres do solstício de Verão, uma suave brisa trará sempre uma nostalgia, um pesar, mas também alegria. E o pensamento será: uma recordação é algo que se tem ou algo que se perdeu? sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Augúrios de Outubro nº5
Toda a ruptura simboliza, ao manifestar-se, a dualidade de todo o ser: tudo o que é vivo ou construído pode ser morto ou destruído, ou mais do que isso, trás o germe da sua própria destruição. In media vita in morte sumus (a morte jaz no coração da nossa vida). Vixnu e Xiva, deuses da destruição, não são mais do que dois nomes de uma única e mesma realidade. É a alternância da integração e da desintegração que significa a ruptura, marcando principalmente a fase negativa. Mas esta negação é a condição dum renascimento e de uma renovação. No plano material, dominar ou domar uma ruptura, uma infelicidade, é aceder a um outro nível de existência; o deleite moroso da ruptura, ao contrário, coloca a pessoa na via da regressão e da involução.-O livro dos signos
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Vem de onde o futuro?
Algures, por cima do arco-íris, o sonho cumpriu-se. Foi um sol perto demais do amor. Resta a memória dissipando-se, resta a força da promessa de novo amor, novo sol… O caminho é o mesmo, são os rostos que mudam, os corações. Entristece o modo como já não me vês, já não me sentes. A página virou dentro de ti… a minha. Escreveste a última linha e é o fim, fecha-se o livro. Algures por cima do arco-íris, bem lá no alto, esvoaçam fantasmas de sentires magníficos como jóias no voo do esquecimento, lições de vida. É tempo de partir, deixar o arco-íris para trás em direcção ao mistério da vida, da beleza por desvendar. (Depois de ontem ter feito este desenho, vislumbrei 3 arco-íris no céu, em 3 momentos e lugares diferentes. Que me dizia essa coincidência? Que devo continuar a sonhar? Que devo partir? Porque é tão dificil deixar uma utopia para trás? Porque não se deixa. Ela está dentro de mim e acredito nela. E ela acabará por acreditar em mim de novo. Por isso...Espero.)
sábado, 28 de novembro de 2009
O céu de hoje (Augúrios de Outubro nº8)
O céu de hoje trouxe consigo o eco das lágrimas de ontem, feitas tranquilos sorrisos. Se numa planície andasse, seria a ti que veria ao longe e acreditaria não me estares a dizer adeus. De adeus se faz a vida e de olá se constrói a utopia. Caminha a meu lado. Desbravemos o nosso sonho de ontem. Ele nada mais esteve do que adormecido. E em seu sono, sonhou nossa felicidade. quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Uma nova cidade (Augúrios de Outubro nº1)
Se penso esperança, é porque quero viver,
viver para além da dor.
Se penso esperança,
Se penso esperança,
é porque acredito que nada está perdido,
mesmo quando acreditamos que está.
Se penso esperança,
Se penso esperança,
é porque vejo a promessa do futuro
desabrochar à minha frente.
Se penso esperança,
Se penso esperança,
é porque recuso ver ruínas
onde um dia existiu amor.
Das ruínas se constrói uma nova cidade.
Se penso esperança,
Se penso esperança,
é porque sinto que o amor tudo pode,
tudo transforma.
Se penso esperança,
Se penso esperança,
é porque talvez esteja cego e surdo,
mas continuo a ver e a ouvir.
Se penso esperança,
Se penso esperança,
é porque lembro como o melhor de ti
despertou o melhor de mim.
Se penso esperança, penso em ti.
Se penso esperança, penso em ti.
Pode a esperança doer?
Sim, mas não a ter vai doer ainda mais.
Quero ter esperança
na minha capacidade de acreditar;
que por vezes, tudo nada mais é do que
um mau sonho e que acordamos.
Um novo dia nasce, cheio de esperança.
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