Quão triste e irónico seria se estivéssemos ambos sozinhos, cada um em seu quarto, em seu canto da cidade, nesta tarde de domingo onde a única utopia é o chumbo do céu murmurando seu lamento por mais um amor perdido. Perdido? O amor não se perde nunca. Morre, talvez, mas sua alma vai juntar-se às estrelas iluminadoras dos sonhos dos poetas, dos apaixonados… dos corações quebrados. Quem disse que o amor gerado não é as fagulhas das fogueiras que aquecem os viajantes nocturnos? Das fornalhas das fábricas que moldam o suor dos que nunca sonharão? Ou a sujidade dos mendigos esquecidos, e que também amaram? Quão triste e irónico seria se, depois de ser sentido, depois de ser vivido, o amor se desvanecesse nas lágrimas dos destroçados, ou até na indiferença dos vencedores? Quando não se entende o que aconteceu, que existe então para esquecer? Perguntas destas não se fazem. Tudo o que tem a ver com o sentir, está ligado à capacidade de acreditar, de ter fé. Até onde vai a capacidade de nos darmos? Até onde vai a infinitude?segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
4.1.2010
Quão triste e irónico seria se estivéssemos ambos sozinhos, cada um em seu quarto, em seu canto da cidade, nesta tarde de domingo onde a única utopia é o chumbo do céu murmurando seu lamento por mais um amor perdido. Perdido? O amor não se perde nunca. Morre, talvez, mas sua alma vai juntar-se às estrelas iluminadoras dos sonhos dos poetas, dos apaixonados… dos corações quebrados. Quem disse que o amor gerado não é as fagulhas das fogueiras que aquecem os viajantes nocturnos? Das fornalhas das fábricas que moldam o suor dos que nunca sonharão? Ou a sujidade dos mendigos esquecidos, e que também amaram? Quão triste e irónico seria se, depois de ser sentido, depois de ser vivido, o amor se desvanecesse nas lágrimas dos destroçados, ou até na indiferença dos vencedores? Quando não se entende o que aconteceu, que existe então para esquecer? Perguntas destas não se fazem. Tudo o que tem a ver com o sentir, está ligado à capacidade de acreditar, de ter fé. Até onde vai a capacidade de nos darmos? Até onde vai a infinitude?quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Passagem do ano
Finalmente lembrei-me da passagem de ano passada. Havia esquecido completamente. Talvez por a confundir com o S. João, devido ao fogo de artificio na Praça da Liberdade. Talvez porque te recusaste a beijar-me na passagem do ano. Um beijo de celebração da passagem do ano. Já tinham havido alguns sinais inquietantes sobre o trilho que traçávamos. Alguns impossíveis de ignorar. No entanto, este tocou-me de outra maneira. Havias recusado o toque dos meus lábios nos teus. Sei agora que já nessa altura apenas achavas que me amavas. Talvez ambos nos recusássemos a acreditar nisso. Mas intimamente sabíamo-lo. Escolhemos não o reconhecer. Quem ama, dá, não exige. Quem ama, ama incondicionalmente, não cria regras que aprisionam o amor. Quando penso em todas as vezes que me rejeitaste... E que bastou sentires-te rejeitada uma vez por mim...O meu desejo é que este ano sintas que vais partilhar a passagem do ano, este 2009 terrível, tão dorido e cheio de mágoa, com alguém com quem te sintas livre para beijar, quando o novo ano estiver a entrar. Que não te sintas suja, amante e todas essas coisas que sentias comigo. Que te sintas livre, limpa, amada e principalmente, sentindo que ama. Essa é afinal a melhor forma de se estar na vida e de nos entregarmos a um novo ano. O passado passou. É memória. Interessa o momento em que estamos e a possibilidade de sabermos para onde vamos…Mais importante: para onde queremos ir. E que nenhum de nós esteja de novo numa situação de recusar ou ver recusado um beijo que se supunha de comunhão do que sentíamos, de aposta no futuro. Uma aposta que nessa noite não foi feita. Nessa noite éramos já estranhos, mas ainda não o sabíamos.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Sei que
No início de 2009 sonhei que este seria o meu último ano de vida. Sei agora que de facto deixei de existir. Um outro ergue-se da ruína de mim, devagar, reconhecendo a crença em si próprio, no caminho que julgou ter perdido, na doce e frágil fé, na imensidão que o Amor é. Fomos crianças no nosso sentir. Sei que renasci e criança sou ainda. Sei que olho para o chão e me vejo a caminhar. Sei que olho para o céu e vejo as estrelas. Sei que olho em frente e sinto o meu crescimento a crescer. No fim de 2009, sonhei que não estavas feliz. Trata de ser feliz, pois apenas a tua felicidade redimirá a dor germinada.domingo, 27 de dezembro de 2009
Deixar de existir
Existe caos nas mais pequenas manifestações da vida. Não quero sequer respirar-me ou até deixar-me dormir. Invejo o futuro e todas as suas possibilidades. Quero aniquilá-las uma a uma até nada existir no sonho que não vou sonhar. Algures, sempre por entre um qualquer desatento instante, insinuar-se-á algo. Talvez um inaudível suspiro. Talvez no dia seguinte eu acorde e sinta devagar invadir-me todo o amor, toda a esperança e criatividade. O que desejo agora? Deixar de existir, O que gostaria que acontecesse? A possibilidade de renascer, mesmo depois de a ter espezinhado além de qualquer reconhecimento.domingo, 20 de dezembro de 2009
Num dia que nascia
Não digo que não à insaciável sucessão dos dias. Eles cilindram corpo e alma, até à planura de onde ainda se acredita no movimento em frente que a vida foi. Se digo não, apaga-se a derradeira luz e deixo de existir. Bastaria um toque, um sopro e todo o pensamento das coisas passadas e futuras cessaria. O agora, torturador de serviço, rumaria então para outras paragens e também eu, em direcção à paz e luz, beijadas num dia que nascia.quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
5-12-09
é um perpétuo presente que me dás, que te dou.
Na ausência de ti,
sinto-te no sentir e a imaginação sorri.
O toque que partilhamos foi para sempre.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Estranhos na noite (A. de O. nº2)
Já não sou desta cidade. Já não sou de lugar nenhum. Meus pedaços de mim espalhados foram pelo vento gélido da impermanência. Estive aqui, sim. Ambos habitamos em tempos esta cidade. Caminhamos as promessas e ideais de um baptismo luminoso, inocente demais. Hoje somos estranhos na noite e a cidade outrora nossa já não existe.
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